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Matrizes do Nascimento Artigo
Publicado no Guia Lótus de Julho de 2000 | Formato PDF | Voltar para a
página inicial | Voltar para Artigos | Fundamentado nas teorias do inconsciente
freudiana e junguiana, a Psicoterapia através de Expansão da Consciência foi
desenvolvida a partir de diversas técnicas da Psicologia Clássica, da
Psicologia Junguiana e da Psicologia Transpessoal. O cerne desse trabalho é explicado,
neste texto, pela psicoterapeuta Isis Dias Vieira: buscar a conexão da
consciência do presente com as memórias conscientes e inconscientes do
passado, referentes a etapas fundamentais da existência da pessoa – infância,
nascimento e vida fetal. Através de um enfoque holístico, essa conexão é feita
utilizando-se técnicas de expansão de consciência, tais como relaxamento
profundo, imaginação ativa, regressão e técnicas respiratórias. Morremos e renascemos a cada instante, pois a vida na
Terra nada mais é que renovação constante. No universo tudo é vibração, é
ritmo, é pulsação, é transformação, é criação permanente, num eterno
movimento de abrir e fechar, de vai e vem, de expansão e contração, de
inspiração e expiração, enfim, de respiração que renova a vida a todo momento. Como microcosmo, como a gota que reflete todo o oceano
cósmico, o homem participa, conscientemente ou não, dessa dinâmica da vida. E
tudo começa com o "sopro", com a primeira respiração, com o
nascimento. Sopro é "espíritus" em latim,
"rouach" em hebreu e "pneuma" em grego, significando ao
mesmo tempo sopro de ar, sopro vital e espírito. Sendo um fenômeno essencial
da vida, é através dele que o homem começa sua caminhada individual na Terra.
A vida no útero materno, bem como o nascimento, constituem os primeiros
instantes de um Ser na Terra. Por isso, tudo tem um sentido profundo nesse
mundo que é o ventre materno e esse ponto de partida vai condicionar toda a
vida do ser que vai nascer. Tudo tem um sentido profundo nesse mundo que é o ventre materno O
Ponto de Partida
As pesquisas sobre o nascimento e a vida fetal
realizadas no mundo inteiro há mais de três décadas, sobretudo as de Leboyer,
Tomatis e S. Grof, comprovam que o feto, desde o ventre materno, tem uma
consciência. Vivendo em osmose com a mãe, ele se emociona e chora, percebe e
capta os sons exteriores, sendo capaz de identificá-los depois do nascimento.
Isto significa que, se choques físicos, emocionais ou psicológicos perturbam
a mãe durante a gravidez, o bebê vai senti-los e isto pode inscrever nele um
desequilíbrio capaz de gerar, durante a infância ou mais tarde, distúrbios
que perturbem seu funcionamento no mundo exterior. Por isso, sabe-se que a
vida fetal é uma energia espaço-temporal que contém em germe, em potencial
tudo o que a pessoa é e como ela reage diante da vida. Também, tenho observado ao longo desses 10 anos de
experiência clínica em Psicoterapia, utilizando técnicas de Expansão de
Consciência, que o modo como se nasce (prematuro, cesariana, peridural,
fórceps, sentado, cordão umbilical enrolado no pescoço ou no pé...)
corresponde a maneiras bem particulares de se chegar a esse mundo e isto,
contrariamente ao que se pensa, tem suas consequências em como a pessoa
funciona em sua vida cotidiana, quanto à maneira de viver seu corpo, suas
emoções, seu psiquismo e seu espírito, no trabalho, nas relações afetivas,
etc. O modo como se
nasce corresponde a maneiras bem particulares de se chegar a esse mundo
Padrões de
Comportamento Nossas pesquisas, ainda não conclusivas, têm
confirmado as conclusões de Grof, demonstrando que pessoas nascidas por
cesariana revelam, em geral, certa dificuldade de decisão e execução, isto é,
muitas vezes são capazes de decisão interna, mas para executá-la necessitam ser
frequentemente estimuladas. Ficam esperando acontecer, isto é, que alguém as
retire do "útero", sobretudo quando se trata de documentos, papéis
ou coisas ligadas à organização da vida cotidiana, ou de decisões que
signifiquem mudanças relacionadas à sua própria vida, como profissão,
trabalho, relacionamentos, etc.. Os prematuros, ao contrário, são apressados e
reclamam de agitação e inquietação interna. É-lhes difícil aceitar o tempo
linear e as limitações do mundo material. Por isso, em geral tentam queimar
etapas. Em geral, são impacientes e revelam dificuldade de permanência em
relacionamentos afetivos. É-lhes difícil permanecer no "útero". No caso de cordão umbilical enrolado no pescoço,
além dos efeitos de cesariana citados acima, a pessoa terá que enfrentar o
medo da morte a cada passagem, a cada mudança em sua vida, a cada decisão a
ser tomada. É como se seu inconsciente lhe dissesse: "Se você se mexer,
você morre". É como se ela estivesse permanentemente com uma "corda
no pescoço". Quando o cordão vem enrolado no pé, a pessoa, nas situações
citadas anteriormente, sempre se sente presa, amarrada, tendo dificuldade em
avançar de alguma maneira. A maneira como se
nasce imprime no indivíduo padrões de comportamento que deverão ser
compensados afetivamente pelos pais nos primeiros anos de vida. No caso de parto peridural, a criança deverá nascer
sozinha, com seus próprios esforços, sem a participação da mãe. Os adultos a
aguardam como se ela fosse um pacote e não uma consciência. E o sentimento de
abandono é a consequência mais freqüentemente encontrada. A pessoa vive sua
vida como se não pudesse contar com ninguém. Em todos os casos, o papel dos pais no relacionamento
afetivo com o filho é muito importante, sobretudo o da mãe, pois ela deverá
compensar, o que a criança não pôde viver na vida fetal e no nascimento. A
cada passagem importante da vida do filho, a mãe deverá "pari-lo",
isto é, ajudá-lo a nascer. Através da Regressão à Vida Fetal, é possível fazer
vir à tona essas memórias inscritas no inconsciente, ajudando a pessoa a
reviver seu nascimento tal como ele aconteceu, bem como viver as etapas que
lhe faltaram - no caso do prematuro, os meses que faltaram e, no caso de
cesariana, passagem pelo parto normal, ou desfazer-se do "cordão vibratório"
que a prende, da "pressa em sair do útero", do abandono, através de
seu próprio esforço e de maneira consciente. Tal revivência ajuda a pessoa a compreender de maneira
profunda o significado disso em sua vida, seus esquemas repetitivos, podendo libertar-se
das cargas negativas que a prendem ao passado, impedindo-a de ser feliz. Isso
envolve um intenso trabalho de ajuda emocional, psicológica e espiritual, bem
como de um grande esforço pessoal determinado pelo desejo de libertação. Através da compreensão dessas memórias, as
cargas emocionais que se formaram desde o começo da vida e que foram sentidas
como negativas porque foram dolorosas, podem ser compreendidas,
restabelecendo-se um equilíbrio para o presente e o futuro. A Lógica
Evolutiva O ser humano
evolui desde o útero materno até o fim da vida, seguindo uma lógica
necessária à sua evolução e à sua própria libertação. Toda a metodologia de Regressão à Vida Fetal, ao
Nascimento, à Infância e à Adolescência é desenvolvida em 3 etapas. Dentro de
um enfoque global e, considerando-se a perspectiva linear do tempo, a pessoa
é ajudada a retomar sua auto-consciência a partir do momento atual,
regressivamente, até o momento da sua concepção. Na duas primeiras etapas são
trabalhadas as energias parentais relacionadas à adolescência, à infância e
ao nascimento. Nessas etapas, a metodologia objetiva o despertar das memórias
cinestésicas e emocionais da pessoa. Na primeira etapa, técnicas especiais
possibilitam a revivência de situações de relacionamento com os pais a partir
da idade adulta até à adolescência e na segunda etapa, a revivência de
acontecimentos que marcaram a infância e o nascimento. Na terceira etapa são
trabalhadas as energias da vida uterina e da concepção, bem como os reflexos
desse período em toda a vida da pessoa. Nas duas últimas etapas, onde são trabalhadas
especificamente as memórias do nascimento e da vida fetal, são recriadas as
situações e as condições do parto e do útero materno, através de técnicas
especialmente concebidas para esse fim. Diferentes técnicas originais que
facilitam a expressão e a compreensão da linguagem do corpo, são utilizadas
para liberar energias e emoções relacionadas aos pais e ao nascimento, para
reviver através do corpo o desejo ou a recusa do nascimento, bem como a
travessia uterina e a "ancoragem" no ventre materno. A revivência das memórias conscientes e inconscientes
e a ajuda psico-espiritual que a pessoa recebe em todas essas etapas,
possibilitam alívio físico e emocional graças ao desbloqueio e liberação das
cargas negativas, mas sobretudo compreensão das memórias afetivas que
constituem a estrutura psicológica do indivíduo. Uma vez livre, a pessoa se
abre ao seu potencial interior de amor, intuição e criatividade – elementos
básicos de expressão da inteligência da totalidade. |
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